Acordamos e decidimos fazer um passeio de barco pela baía de Ushuaia e canal de Beagle. Demos sorte. O dia estava generoso, Sol e não muito frio.
Melhor ainda foi quando o capitão do barco turístico parou porque avistou duas baleias por perto. Ficamos quase uma hora por perto delas. Difícil fotografar e filmar, somente algumas subidas para tomar ar. Mesmo assim conseguimos algumas fotos e um pequeno filme.
De tarde fomos visitar o museo naval e o museu do presídio, no mesmo local. Não sei se estávamos cansados ou com pouca paciência para o guia teatral demais e não aguentamos por muito tempo.
Demos um pulo na Honda daqui e não tinha uma câmara sobressalente que quero levar daqui em diante. Nos indicaram outra oficina, Pablo Motos, bem completa e um ponto interessante de apoio mecânico aqui.
Andamos o centro da cidade por completo, de cima abaixo, e mais algumas periferias.
À noite abrimos os mapas para planejar melhor a nossa volta. Um telefonema para o Ricardo, dono da Moto Atacama, de uma gentileza sem tamanho, passando mais e mais dicas. As que havia me passado na vinda foram perfeitas e agora mais outras preciosas. Tanto o Ricardo como o Dimitry, do clube XT660.net foram especialmente generosos nas ajudas. Grandes caras.
Amanhã começa cedo, pretendemos acordar às 04h00 e sair às 05h00 com todas as roupas de frio que trouxemos. Se tudo correr bem pegamos uma balsa diretamente para Punta Arenas saindo de Porvenir. Tomara que dê tudo certo, caso contrário temos o plano B que é voltar pela balsa que viemos e rumar para Punta Arenas.
Da próxima vez que vier aqui será para passar uma semana com minha
mulher e fazer várias outras atividades ao redor desta cidade simbólica
de não mais que 70.000 habitantes.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Ushuaia!
Saímos de Rio Grande com os tanques abastecidos, um rápido café no estômago e um email trocado com Edmilson. Nos passou o hotel que estava em Ushuaia.
Uma estrada linda. A paisagem se alterou completamente. Das savanas para mudanças significativas no relevo e o Mar à bombordo, o bordo bom, o lado do coração.
Cavalos - pena que sem fotos - ovelhas, guanacos, pássaros gigantes que nunca tinha visto (mestre Guto Carvalho iria adorar) e florestas. A cordilheira aparece, lagos azuis e uma estrada que destoou do resto, sempre boa até aqui. Alguns trechos até perigosos com buracos e pedras soltas. Como no trecho anterior, eu saía à frente e o Carlos vinha com tudo que podia. Queríamos encontrar o nosso parceiro Edmilson antes que ele tomasse o avião para Viracopos (com suas devidas escalas).
Essa moto que ando é muito apropriada para este tipo de viagem. Nos retões chega fácil nos 180 km/h e anda bem na terra também. Enfim, mais papo de motociclista que não é bem o tom deste diário de viagem.
Um enorme espectro de pensamentos e sensações vinham à cabeça. Meu amigo de 44 anos por perto, desde 1968, 52 anos completados ontem e uma aventura mais apropriada para alguém de 25.
Nenhum heroísmo nisto tudo, somente o prazer do desafio, sair de casa, do conforto, do colo da mulher, e se jogar na estrada como um caramujo, carregando tudo que se precisa em exatos 79 litros, 46 do baú atrás do banco e uma mochila impermeável de alpinismo, de 33 litros. Na verdade uma heresia para os mototuristas que equipam suas motos com 3 baús e carregam muito mais coisa. Mas, enfim, esse minimalismo estimula.
E os km das placas reduziam. De um hora para outra o frio chegou para valer. O dia já tinha sido generoso, sem chuvas, mas muito duro pelo vento. Tudo que tínhamos pego até então não passava de uma matinê infantil. Teve hora que apeei da moto para fotos e quase fui derrubado pelo vento. Mas dessa vez o que mais pegou foi o frio. As mãos enrigesseram mesmo com duas luvas, uma quente por baixo e outra grossa por cima. Nas pernas camadas e mais camadas. Cueca, segunda pele fina, segunda pele grossa, calça jeans e uma última calça impermeável de chuva. Imagina um xixi básico!
Até que: chegamos!
Antes uma serra descendente, com curvas muito fechadas, que assusta um bocado, ainda mais que tínhamos nossa pressa e a estrada está realmente ruim.
Na entrada da cidade, um semáforo, emparelhamos as motos e apertamos as mãos.
Paramos num posto YPF em frente ao porto e um último email do Edmilson dizia que sairia do seu hotel às 20h00.
Eram 19h58. Corremos até as motos, chegamos na recepção e ele havia partido 10 minutos atrás. Ficou o esforço e a certeza que o abraço ficará mais forte em Jundiaí.
Escolhemos um outro hotel, nos instalamos e fomos jantar aqueles caranguejos gigantes, as centoias. Tomamos todas as cervejas que nos eram de direito e fomos passear à beira mar. O Paraty 2, do Amyr Klink, está ancorado aqui. Curiosamente este blog começa usando uma citação deste grande estradeiro, seja do Mar , seja da Terra. Sim, Amir Klink também tem moto.
Tiramos uma foto na famosa placa da cidade, mas amanhã faremos outras melhores.
USHUAIA !!!
Uma estrada linda. A paisagem se alterou completamente. Das savanas para mudanças significativas no relevo e o Mar à bombordo, o bordo bom, o lado do coração.
Cavalos - pena que sem fotos - ovelhas, guanacos, pássaros gigantes que nunca tinha visto (mestre Guto Carvalho iria adorar) e florestas. A cordilheira aparece, lagos azuis e uma estrada que destoou do resto, sempre boa até aqui. Alguns trechos até perigosos com buracos e pedras soltas. Como no trecho anterior, eu saía à frente e o Carlos vinha com tudo que podia. Queríamos encontrar o nosso parceiro Edmilson antes que ele tomasse o avião para Viracopos (com suas devidas escalas).
Essa moto que ando é muito apropriada para este tipo de viagem. Nos retões chega fácil nos 180 km/h e anda bem na terra também. Enfim, mais papo de motociclista que não é bem o tom deste diário de viagem.
Um enorme espectro de pensamentos e sensações vinham à cabeça. Meu amigo de 44 anos por perto, desde 1968, 52 anos completados ontem e uma aventura mais apropriada para alguém de 25.
Nenhum heroísmo nisto tudo, somente o prazer do desafio, sair de casa, do conforto, do colo da mulher, e se jogar na estrada como um caramujo, carregando tudo que se precisa em exatos 79 litros, 46 do baú atrás do banco e uma mochila impermeável de alpinismo, de 33 litros. Na verdade uma heresia para os mototuristas que equipam suas motos com 3 baús e carregam muito mais coisa. Mas, enfim, esse minimalismo estimula.
E os km das placas reduziam. De um hora para outra o frio chegou para valer. O dia já tinha sido generoso, sem chuvas, mas muito duro pelo vento. Tudo que tínhamos pego até então não passava de uma matinê infantil. Teve hora que apeei da moto para fotos e quase fui derrubado pelo vento. Mas dessa vez o que mais pegou foi o frio. As mãos enrigesseram mesmo com duas luvas, uma quente por baixo e outra grossa por cima. Nas pernas camadas e mais camadas. Cueca, segunda pele fina, segunda pele grossa, calça jeans e uma última calça impermeável de chuva. Imagina um xixi básico!
Até que: chegamos!
Antes uma serra descendente, com curvas muito fechadas, que assusta um bocado, ainda mais que tínhamos nossa pressa e a estrada está realmente ruim.
Na entrada da cidade, um semáforo, emparelhamos as motos e apertamos as mãos.
Paramos num posto YPF em frente ao porto e um último email do Edmilson dizia que sairia do seu hotel às 20h00.
Eram 19h58. Corremos até as motos, chegamos na recepção e ele havia partido 10 minutos atrás. Ficou o esforço e a certeza que o abraço ficará mais forte em Jundiaí.
Escolhemos um outro hotel, nos instalamos e fomos jantar aqueles caranguejos gigantes, as centoias. Tomamos todas as cervejas que nos eram de direito e fomos passear à beira mar. O Paraty 2, do Amyr Klink, está ancorado aqui. Curiosamente este blog começa usando uma citação deste grande estradeiro, seja do Mar , seja da Terra. Sim, Amir Klink também tem moto.
Tiramos uma foto na famosa placa da cidade, mas amanhã faremos outras melhores.
USHUAIA !!!
Rio Grande
Terra do Fogo. Faltam 200 km até Ushuaia.
O dia prometia chuva. Logo que saímos do hotel estava sem, mas vimos as poças nas ruas de Rio Gallegos que São Pedro enviou generosamente meia hora antes.
Uma estrada linda com alguns cerros ao longe e logo a primeira das três fronteiras.
Logo após a balsa que atravessa o estreito que Magalhães descobriu para evitar a navegação pelo perigoso cabo Horn. Chile! Cerro Sombrero. Na verdade um vila ainda menor, um poblito, chamado Primavera. Paramos para abastecer e veio o assalto oficial: pagamos R$ 6 o litro da gasolina.
Me lembrei de uma conversa que tive com Ricardo Atacama, da Moto Atacama, que aconselhou sair da Ruta 3, voltar 12 km, e pegar uma alternativa ao Sul. As duas seriam rípio, mas esta opção evita o tráfego intenso de caminhões. Perfeito. São 140 km de rípio até a nova fronteira de saída do Chile.
O rípio: todo mototuristas teme, com razão. É um cascalho solto, pedras redondas e uma enorme possibilidade de você perder o controle. Ano passado conheci e quase fomos ao chão, Aldo e eu. Este trecho estava bom e chegamos a andar puxado. Carlos usou tudo da XRE e eu consegui imprimir até 160 km/h em poucos trechos. Dois sustos e nada mais. Andava na frente, parava, tiritava fotos e o Carlos passava. Assim foi até Ushuaia.
Uma terceira fronteira, de entrada na Argentina, na Terra do Fogo, e uma rápida passada em Rio Grande para abastecer de novo.
Estávamos adrenilados. Queríamos chegar. E queríamos encontrar o Edmilson para um abraço.
O dia prometia chuva. Logo que saímos do hotel estava sem, mas vimos as poças nas ruas de Rio Gallegos que São Pedro enviou generosamente meia hora antes.
Uma estrada linda com alguns cerros ao longe e logo a primeira das três fronteiras.
Logo após a balsa que atravessa o estreito que Magalhães descobriu para evitar a navegação pelo perigoso cabo Horn. Chile! Cerro Sombrero. Na verdade um vila ainda menor, um poblito, chamado Primavera. Paramos para abastecer e veio o assalto oficial: pagamos R$ 6 o litro da gasolina.
Me lembrei de uma conversa que tive com Ricardo Atacama, da Moto Atacama, que aconselhou sair da Ruta 3, voltar 12 km, e pegar uma alternativa ao Sul. As duas seriam rípio, mas esta opção evita o tráfego intenso de caminhões. Perfeito. São 140 km de rípio até a nova fronteira de saída do Chile.
O rípio: todo mototuristas teme, com razão. É um cascalho solto, pedras redondas e uma enorme possibilidade de você perder o controle. Ano passado conheci e quase fomos ao chão, Aldo e eu. Este trecho estava bom e chegamos a andar puxado. Carlos usou tudo da XRE e eu consegui imprimir até 160 km/h em poucos trechos. Dois sustos e nada mais. Andava na frente, parava, tiritava fotos e o Carlos passava. Assim foi até Ushuaia.
Uma terceira fronteira, de entrada na Argentina, na Terra do Fogo, e uma rápida passada em Rio Grande para abastecer de novo.
Estávamos adrenilados. Queríamos chegar. E queríamos encontrar o Edmilson para um abraço.
quarta-feira, 7 de março de 2012
É hoje!
Acordamos cedinho, ainda é noite, saí à rua e o tempo indica que teremos chuva à frente.
Já ia resmungar quando me veio a lembrança dos livros do Schackleton. Nada chega perto do que esse cara e sua tripulação passaram.
Vamos lá: Ushuaia!
Já ia resmungar quando me veio a lembrança dos livros do Schackleton. Nada chega perto do que esse cara e sua tripulação passaram.
Vamos lá: Ushuaia!
terça-feira, 6 de março de 2012
Rio Gallegos
Chegamos em Rio Gallegos depois de um trecho com frio, chuva e Sol. Tudo que temos direito recebemos. E vento. Muito.
Ao chegar percebi que algumas voltas a mais me obrigam a fazer a revisão dos 6.000 aqui e não em Ushuaia como era o plano.
Chegamos na autorizada Honda e estava fechada para almoço.
Para não ficarmos no frio entramos numa loja de sorvetes, a única aberta por perto.
Estamos tomando sorvete para não passar frio, por mais paradoxal que seja.
Ao chegar percebi que algumas voltas a mais me obrigam a fazer a revisão dos 6.000 aqui e não em Ushuaia como era o plano.
Chegamos na autorizada Honda e estava fechada para almoço.
Para não ficarmos no frio entramos numa loja de sorvetes, a única aberta por perto.
Estamos tomando sorvete para não passar frio, por mais paradoxal que seja.
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