quinta-feira, 22 de março de 2012

Bariloche

Chegamos em Bariloche e fomos procurar um hotel. No centro de informações turísticas indicaram alguns, como também hostels. Escolhi um destes, uma casa de família umas 15 quadras do centro. Chegando lá as pessoas não estavam em casa e acabamos voltando e achando um hotel no centro.

Não conhecia Bariloche e nem pretendo voltar. Típica cidade para turistas tradicionais. Só fui até lá para me despedir dos amigos canadenses. Acabamos encontrando o Georgios, um grego que comprou uma BMW GS 1200 no México e está já a um ano e meio viajando na América.

Umas cervejas antes do jantar e uma despedida calorosa no saguão do hotel.

Esses cinco canadenses se tornaram bons amigos e temos planos deles virem para o Brasil e eu ir com a Ná para lá.

Quando eu for na viagem ao Alaska tenho certeza que encontrarei um bom apoio deles por lá.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Futalefu

Na verdade o título deste post deveria ser Trevelin, já na Argentina, onde dormimos.

Acordamos em Villa Amengual, tomamos um bom café, mas antes de partirmos Mike levou Paz para dar uma volta de moto. Essas pessoas nos tocaram fundo, tanto a Margarida e seu filho Juan, em Villa Cerro Castillo, quanto aqui. Gente muito simples, pousadas com banheiro coletivo, mas um calor humano sem tamanho.

Tínhamos um longo dia à frente. Todo em rípio. E todo dentro da Cordilheira Andina, com paisagens que não saem da minha cabeça. Florestas parecidas com nossa Mata Atlântica, rios caudalosos, largos, de águas absolutamente puras e verdes, gaúchos chilenos com seu gado e seus cavalos, tudo protegido em Parques Nacionais chilenos.

No meio desta Carretera Autral demos de cara com as termas. Paramos, tomamos banho nas águas aquecidas pelo vulcão, eu ainda dei umas braçadas no lago gelado e voltei para as águas de até 40 graus.

A fronteira, em Futalefu, no Chile, e em Los Cipreses, Argentina, fecha às 20h.

Chegamos às 19h30 no lado chileno e conseguimos passar. No fundo o tempo agiu contra pois a vontade era de ficar no lado chileno. Futalefu é uma pequena cidade turística, para amantes da Natureza, com várias atividades disponíveis, como rafting, bicicletas, trilhas etc. Lugar para voltar, com certeza.

Logo depois dos trâmites começou uma forte chuva com frio e os 30 Lm que separam a fronteira da cidade de Trevelin foram bem duros. Deixamos Tim e Bill para trás e fomos na frente descobrir um bom hotel para descansarmos do dia mais lindo e mais exaustivo da viagem.

Hospedados fomos comer uma substancial parrilla com duas garrafas de bons Malbecs.

Atraso do blog

O blog está desatualizado 3 dias. Estou quase em Buenos Aires. Como a balsa só sairá às 23h59 vou tentar colocar aqui em dia.

domingo, 18 de março de 2012

Villa Amengual

Fomos direto procurar o hospital onde Dick estava internado, em Coihaique. Os médicos tiraram raios X de sua cabeça, tórax, braços etc. Felizmente foi somente uma fratura completa de sua clavícula direita sem maiores problemas. No Canadá fará o restante do tratamento. Servi de tradutor para o registro policial necessário para o seguro e fomos atrás de um avião para levá-lo a Santiago e de lá para sua casa. Conseguimos resolver tudo até às 15h00 e retomamos a Carretera Austral.

Depois de alguns km nos deparamos com uma das barreiras de um protesto que já dura mais de 30 dias da população da Patagônia chilena. A população reclama que o presidente os abandonou. O custo de vida da região é muito mais alto que o resto do país, não tem uma universidade local etc.

Conversei bastante com os grevistas que me convidaram para entrar no acampamento e tomar um mate com eles. Só abrem a estrada meia hora pela manhã e outra meia hora à noite

Depois de mais de uma hora e meia concordaram que as motos passassem por um caminho de pedra abaixo da estrada. Mike que teve a brilhante idéia de mostrar aos grevistas que este caminho não era propriamente o objeto do bloqueio.

Quando todas as motos tinham passado, só faltava a minha, os grevistas me chamaram e disseram que eu seria o único que passaria pela barricada. Rimos um bocado, tiramos fotos com eles e partimos.

Queríamos chegar numa espécie de resort de águas quentes chamado Las Termas mas a noite, a chuva e o frio nos alcançaram e resolvemos dormir aqui, numa pequena vila.

Como em Cerro Castilho ficamos em uma pequena hospedagem da amável senhora Ira que nos preparou uma sopa de legumes com carne e um prato de arroz com frango. Deliciosos.

Tomamos umas boas cervejas na pequena sala aquecida à lenha e descobri que Tim, pai de Mike e Brendon, também gosta de filosofia e Espinoza. A noite foi memorável.

Mas choveu muito. Daqui para frente ainda teremos muito rípio. Pretendemos cruzar para a Argentina ainda hoje.

sábado, 17 de março de 2012

Cerro Castilho

Os trâmites para entrar na Chile foram os piores que já tive em todas as viagens que fiz. Não sei o que passou com um estúpido cara da aduana que resolveu implicar comigo por absolutamente nada.

Após esse pequeno dissabor fizemos o perímetro oeste do lago Buenos Aires.

Lindas paisagens neste início da tão falada Carretera Austral. A estrada muito dura de um cascalho solto, com muitas costelas que acordaram Lia e Laura.

Logo depois de comermos uns sanduíches, nossa primeira refeição, por volta das 17h00, Dick, um dos canadenses, seguiu à frente do grupo. Poucos minutos depois chegamos ao local de seu acidente. Entrou um pouco mais forte em uma curva e quando percebeu que sairia pela tangente pisou fundo demais nos freios . Em estrada de cascalho o preço é cobrado na hora. Caiu e quebrou sua clavícula direita.

Estávamos no meio do nada. A vila mais perto a 42 km de distância. A noite chegando, nenhum carro passando e resolvemos enviar dois canadenses para procurar ajuda à frente.

Depois de quase 2 horas conseguimos parar um carro que ia no nosso sentido norte e colocamos Dick no banco traseiro.

Fomos atrás e encontramos os dois canadenses que tinham ido antes, já voltando em um carro chileno. Eram amigos da Margarida, dona da única pensão da vila, a que estava a 42 km à frente.

Não havia mais de 40 casas, mas tinha um posto de saúde e um bom enfermeiro, Cristian. Não só atendeu muito bem como conseguiu uma ambulância para levar o canadense até Coihaique, uma cidade de uns 40 mil habitantes com um bom hospital.

Nós ficamos na pensão da Margarida. Ela já havia levado café no posto de saúde e, quando chegamos à hospedagem, perto de meia noite, nos preparou um arroz com salsicha, milho e vagem. Confesso que foi a melhor refeição até aqui.

Tiramos algumas fotos dela e seu filho Juan ao nos despedirmos dessa alma santa.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Los Antiguos

Saímos de Gobernador Gregores com os tanques e galões reservas cheios, achando que era precaução demasiada, todas as informações eram que nunca faltava gasolina em Bajo Caracoles.

Sempre há uma primeira vez. E também foi a única até aqui que usei os dois excelentes galôes canadenses que compramos em Comodoro Rivadávia. O Carlos me deixou o dele quando teve que voltar pelo caminho que viemos por conta das dores do tombo. Depois acabou ficando sem gasolina e foi ajudado por um outro grupo de três argentinos que conhecemos nos caminhos.

Logo depois de Bajo Caracoles tem 20 km do pior rípio que tive em toda viagem. Mais dois canadenses foram ao chão. A Transalp tem se comportado à altura e passei bem por este trecho também.

Chegamos em Perito Moreno, abastecemos e viemos para a fronteira, em Los Antiguos. Lindíssima cidadezinha turística a 3 km da fronteira com o Chile.

Tinha avisado aos canadenses que me despediria em Perito Moreno, pois iria atrás do meu plano e sonho de conhecer a Carretera Austral.

Os caras ouviram o que eu contei, das dicas do Ricardo Atacama ( www.motoatacama.com.br ) e resolveram vir comigo. Muito bacana. Tem sido ótima a companhia deles. Super educados, bom humor e bons companheiros.

Amanhã cruzamos a fronteira e vamos pegar a tão famosa carreteira.

Abasteceremos tudo que temos, tanques e galões, porque as informações são que teremos 400 km sem gasolina nos postos chilenos neste início.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Governador Gregores

A Ruta 40 foi bem divertida. Demoramos 7,5 horas para fazer menos de 200 km. Barro para todo lado e um festival de tombos a baixa velocidade. Um dos canadenses bateu o recorde, caiu 8 vezes. Outra caiu 5, outro 3 e só um saiu virgem.

Eu entrei mole num trecho de pura lama e não consegui segurar quando o pneu dianteiro escorregou.

Consegui "depositar" a moto no chão sem maiores problemas à além do vidro do espelho direito rachado. Estava tão liso que nem um arranão ficou. Mas a virgindade se foi e o orgulho a meio mastro.

O resto passei bem. Mas foi um festival de parar e levantar BMW.

E olha que os caras são bons pilotos.

Fomos dormir em Gobernador Gregores porque era o único lugar com combustível e chegamos lá já depois das 07h00. Queria dormir na Estância La Angostura, dica do Ricardo Atacama, mas não deu.

Tenho muitas fotos e alguns filmes de ontem, só não consigo fazer upload pporque a internet aqui edtá muito ruim.