Ano passado, quando dormi no mesmo hotel na volta da viagem a Santiago do Chile e Sete Lagos argentinos, saí ainda escuro, sem mesmo olhar o Mar que banha o terreno. Tinha pressa, precisava chegar em casa antes do fim do dia, por motivos domésticos. Depois de trinta dias viajando quem sairia em viagem profissional era minha mulher.
Este ano essa pressa não existia. Tirei algumas fotos, tomei o café do hotel e decidi que não voltaria pela Régis Bittencourt. Não só para variar de estrada como para saciar um desejo de dois anos de conhecer a estrada que liga Curitiba a Apiaí. A famosa Estrada do Rastro da Serpente. Há inúmeros vídeos no YouTube de motos fazendo este percurso. São 1.276 curvas, segundo me disse o dono de uma lanchonete onde parei para tomar um café, acostumado a servir mototuristas.
Para quem rodou milhares e milhares de km nos intermináveis retões da Patagônia e Pampa era um "gran finale" merecido.
Em Curitiba, procurando a saída pelo excelente software Mapas do iPhone, as poesias e haikais dos poetas Paulo Leminski e Alice Ruiz vinham à memória sem parar. Com as placas apontando para Bocaiúva sabia que estava no rumo geográfico correto, assim como o rumo poético desses grandes nomes da poesia nacional. Sim, eles compõem uma não muito numerosa lista de nomes que tenho o prazer de ler. Com Alice, mulher do falecido Paulo, ainda tenho o privilégio de algumas parcerias em poemas e letras de música.
A estrada é para quem não tomou muito leite pela manhã. Certamente viraria manteiga no estômago. Uma delícia, com a Mata Atlântica fazendo a moldura do quadro à frente.
Não queria correr, queria refletir sobre a viagem, o prazer de viajar com o Carlos Escalante, meu amigo desde o os bancos primários escolares, os prazeres de conhecer Ushuaia, o "fin del mundo", a Terra do Fogo, a Ruta 40 argentina, as Torres del Paine chilenas, os glaciares argentinos, o lindo pico Fitz Roy e, sem dúvida o ponto mais alto, o que seria o clímax desta viagem, a Carretera Austral chilena, pilotando centenas de km entre as cordilheiras, entre parques nacionais com fauna e flora protegidos, em duras estradas de rípio e desbundanres rios cor de esmeralda.
Mas o Rastro da Serpente não permite distração. Depois de uma curva acentuada há outra ainda mais fechada, seguida de uma ainda mais. O tempo inteiro. Quando tive o terceiro arrasto das pedalarias no asfalto percebi que não era hora, ainda, de relaxar. Mesmo assim, tomando cuidado, ainda se seguiram vários sons indicando que a Honda Transalp estava no limite de sua inclinação.
Até cruzar o rio Ribeira, divisa entre Paraná e São Paulo, o asfalto é muito bem cuidado, as placas indicativas e as sinalizações na pista são um brinco.
Basta entrar em São Paulo para o cenário mudar completamente. O abandono da região é absoluto. Há trechos em que não existe mais, sequer, indicação que é uma rodovia estadual pavimentada. Os buracos e a falta de sinalização, o abandono de uma das entradas do Parque Estadual do Petar, demostram claramente que os governos paulistas viraram as costas para o vale do Ribeira e o Meio Ambiente, região que detém uma enorme fração do que resta da Mata Atlântica brasileira. Uma vergonha. Um frentista em Apiaí falou que somente a imprensa poderia ajudar, que deveria ser produzida uma série de reportagens sobre esse enorme problema, como única forma de obrigar os governos, estaduais e municipais, a tomarem as providências necessárias. Fiquei impressionado com a lucidez do rapaz de Apiaí. Acredito, sim, que esta vergonha deveria ser exposta em todas as futuras eleições paulistas.
O prazer de pilotar na Estrada do Rastro da Serpente se acaba e a vontade é vencer este trecho paulista o quanto antes. Entre Apiaí e Itapetininga, início da Rodovia Raposo Tavares, um segundo absurdo, dois pedágios caríssimos num trecho de rodovia ainda em mão dupla, numa perigosa estrada repleta de caminhões carregados, sem muitas alternativas de ultrapassagens. Com uma moto mais forte não é tão difícil, mas fico imaginando os motoristas de carros e caminhões que trafegam continuamente por ali. Ainda pior, e os ônibus escolares cheios de crianças? Mas as praças de pedágio, essas funcionando a pleno vapor.
Itapetininga, Sorocaba, anel viário, Rodovia do Açúcar que liga a Campinas, novo anel viário em Itu e a chegada em Jundiaí já no lusco fusco.
Tirei uma foto do odômetro total, marcava 14.676. Procurei a foto que tirei na madrugada que saí, um mês atrás, marcando o início da viagem, indicando 1.219 da nova moto comprada.
Total da viagem foi de 13.457 km de puro prazer.
Agora é começar a pensar em como viabilizar a viagem ao Alaska. Não tenho a menor ideia, mas uma única certeza, no Canadá terei uma boa guarida.
Também não sei onde, como e quando, mas levarei os canadenses para alguns passeios neste nosso lindo Brasil. Rio-Santos, com certeza, mas quero montar um pacote para que eles vejam que aqui é o país mais lindo do planeta.
terça-feira, 27 de março de 2012
domingo, 25 de março de 2012
Barra Velha
Ontem, em Porto Alegre, foi dia do aniversário da Luísa, 2 aninhos, filha do Carlos Escalante, meu parceiro de uma boa perna desta viagem. Chamo-a de princesa por merecimento.
Também revi o Marcelo Rech. No primeiro post deste diário conto sobre esta relação de amizade que já dura 44 anos.
Como preêmio, bônus, revi os pais do Carlos depois de uns 25 anos, ou mais. Os pais do Marcelo encontrei uns 6 anos atrás.
São parte do que chamo de família. Trato-os por tias e tios. Foi realmente muito bom.
Revi meus irmãos, sobrinhos e sobrinhas, meus pais, minhas roupas foram gentilmente lavadas e passadas e o tanque se encheu. Falo deste tanque que pulsa no peito apartado do nosso controle.
À noite, na casa de um dos irmãos, conheci um juiz gaúcho com quem tive o privilégio de discutir as questões do Conselho Nacional de Justiça e do projeto Ficha Limpa. Posso dizer que o Alexandre merecerá sua promoção a desembargador. O cara gosta do que faz, trabalha com brio, é juiz desde vinte e poucos anos, tem orgulho do ofício E afirma que o judiciário gaúcho é, via de regra, elogiável. Tem meu crédito.
Depois de percorrer a Free Way, famosa e boa rodovia que liga a capital ao litoral, fui encontrar com o Robson, nova amizade que o mototurismo me agraciou. Em Osório fiquei mais quase uma hora de uma conversa agradável. Deveria ganhar uma comissão da Honda, pois o Robson já está falando que quer pensar na possibilidade de trocar sua Kawasaki por uma XL 700 Transalp.
Convidei o Robson para ir me visitar e darmos um pulo nas praias entre Rio e Santos. Será um prazer ciceronear este novo jovem amigo.
E aí estrada. A BR. 101 está quase pronta. Por mais que tenham desviado rios de dinheiro no Ministério dos Tranportes, a obra está em fase de conclusão.
A noite chegou e entrei em Piçarras, para achar um hotel. Tudo apagado no hotel que me indicaram e segui pela avenida praiana até Barra Velha, município colado. Acabei chegando no excelente hotel Flanboyant, coincidentemente o mesmo que fiquei no último dia da viagem ao Chile, no ano passado.
Só dois hóspedes no hotel 3 ou 4 estrelas com diária muito em conta, incluindo jantar e café da manhã. Baixa estação tem ótimas oportunidades de acomodação.
E os dois mototuristas, de Monte Mor, pequena cidade perto de Campinas e Indaiatuba, ao lado da minha casa, vindos de um encontro em Florianópolis.
Mais duas amizades fáceis, Luiz e Ademir, que estão em Hondas, uma CB. 1300 e uma histórica 750 F, a Sete Galos, pra quem é da área. Os dois da minha idade, amigos de infância. Tive o maior prazer em ouvir suas histórias e contar um pouco desta minha viagem, mostrando as fotos e filmes neste iPhone.
Também revi o Marcelo Rech. No primeiro post deste diário conto sobre esta relação de amizade que já dura 44 anos.
Como preêmio, bônus, revi os pais do Carlos depois de uns 25 anos, ou mais. Os pais do Marcelo encontrei uns 6 anos atrás.
São parte do que chamo de família. Trato-os por tias e tios. Foi realmente muito bom.
Revi meus irmãos, sobrinhos e sobrinhas, meus pais, minhas roupas foram gentilmente lavadas e passadas e o tanque se encheu. Falo deste tanque que pulsa no peito apartado do nosso controle.
À noite, na casa de um dos irmãos, conheci um juiz gaúcho com quem tive o privilégio de discutir as questões do Conselho Nacional de Justiça e do projeto Ficha Limpa. Posso dizer que o Alexandre merecerá sua promoção a desembargador. O cara gosta do que faz, trabalha com brio, é juiz desde vinte e poucos anos, tem orgulho do ofício E afirma que o judiciário gaúcho é, via de regra, elogiável. Tem meu crédito.
Depois de percorrer a Free Way, famosa e boa rodovia que liga a capital ao litoral, fui encontrar com o Robson, nova amizade que o mototurismo me agraciou. Em Osório fiquei mais quase uma hora de uma conversa agradável. Deveria ganhar uma comissão da Honda, pois o Robson já está falando que quer pensar na possibilidade de trocar sua Kawasaki por uma XL 700 Transalp.
Convidei o Robson para ir me visitar e darmos um pulo nas praias entre Rio e Santos. Será um prazer ciceronear este novo jovem amigo.
E aí estrada. A BR. 101 está quase pronta. Por mais que tenham desviado rios de dinheiro no Ministério dos Tranportes, a obra está em fase de conclusão.
A noite chegou e entrei em Piçarras, para achar um hotel. Tudo apagado no hotel que me indicaram e segui pela avenida praiana até Barra Velha, município colado. Acabei chegando no excelente hotel Flanboyant, coincidentemente o mesmo que fiquei no último dia da viagem ao Chile, no ano passado.
Só dois hóspedes no hotel 3 ou 4 estrelas com diária muito em conta, incluindo jantar e café da manhã. Baixa estação tem ótimas oportunidades de acomodação.
E os dois mototuristas, de Monte Mor, pequena cidade perto de Campinas e Indaiatuba, ao lado da minha casa, vindos de um encontro em Florianópolis.
Mais duas amizades fáceis, Luiz e Ademir, que estão em Hondas, uma CB. 1300 e uma histórica 750 F, a Sete Galos, pra quem é da área. Os dois da minha idade, amigos de infância. Tive o maior prazer em ouvir suas histórias e contar um pouco desta minha viagem, mostrando as fotos e filmes neste iPhone.
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