sábado, 10 de março de 2012
Torres del Paine
Fizemos o contorno do Parque Nacional de Torres del Paine. Estamos num hotel muito louco em Cerro Castilho. O melhor da cidade. Éramos os únicos hospedes até a chegada do Gilson, gaúcho de Santo Angelo.
Torres del Paine é um parque nacional do Chile que tem um perímetro de mais de 200 km. À além das famosas montanhas que lhe dão o nome, há inúmeros lagos, hotéis caros e fazendas de gado e ovelhas.
Existe uma fauna abundante, de guanacos mansos, avestruzes, raposas e pumas.
Ricardo Atacama - da Moto Atacama - já tinha alertado que entraríamos na região destes grandes felinos, para ficarmos atentos.
Na entrada do Parque, que não é barata, algo como uns US$ 30, a atendente confirmou que a área tinha muitos pumas.
Cruzamos com duas situações de vaqueiros tocando gado. Na primeira um senhor, Alejandro Ramires Ribas, que conduzia uma vaca com seu bezerro, ajudado por uns 6 cães.
Parei a moto e perguntei se podia "sacar una foto". Disse que sim, com um sorriso largo, e brincou que estava cobrando pelas fotos dos turistas.
Falei que também tinha cavalos e ele me respondeu de pronto: "nenhum como este meu". E a gargalhada era solta.
Um de seus cachorros mancava muito, tinha uma pata dianteira muito machucada e sangrando. Alejandro me disse que uma das 80 vacas que havia tocado mais cedo tinha pisado no pé daquele cão. A vaca e o bezerro que trazia de volta era para o leite do consumo de casa.
Depois de percorrermos todo o perímetro do parque, tirando mais de 200 fotos, fomos parar em Cerro Castilho, fronteira com o Chile. Parecia uma cidade fantasma, de não mais de 150 casas.
No posto policial dos carabineiros me informei que havia um hotel fazenda caro, o único da vila. Reféns da situação, sem mais gasolina nos tanques, rumamos para lá.
A melhor estadia até aqui. Dom Pepe e dona Gloria nos atenderam com muita simpatia. Após estacionarmos perguntamos onde jantar na vila e a Gloria disse que poderia nos preparar salmão com fritas e ovos. Tudo que a gente precisava. Uma comida caseira, sem precisar ligar mais as motos.
Pepe tem uma fazenda de 7000 hectares onde cria ovelhas, cavalos e algum gado. Nesta outra propriedade também tem uma hospedaria que recebe turistas para cavalgadas no parque nacional.
Falamos um bocado sobre cavalos e pumas. Todo ano perde uma parte do seu rebanho para os pumas. São animais de instinto assassino. Quando encontram um rebanho de ovelhas matam somente pelo impulso de sus natureza. Pepe disse que viu algumas cenas de pumas matando 5 a 6 ovelhas de uma vez, sendo que não come nem um terço de uma. Matam por matar. Têm peso aproximado de 120 kg, puro músculo, são muito sorrateiros e sua pele marrom clara os deixa disfarçados nas pradarias patagônicas.
Pepe nos mostrou algumas fotos em seu celular de um puma morto por seus funcionários dias atrás. Havia matado várias de suas ovelhas, os cachorros da fazenda acuaram o bicho em um árvore e foi abatido a tiros.
É proibida sua caça, mas é difícil julgar o Pepe sem viver e conhecer sua vida e suas vicissitudes.
Disse que dificilmente os pumas atacam os homens, mas recentemente dois caras estavam pescando num dos lagos da região e se afastaram entre eles. Um foi atacado e morto por um puma.
Puerto Natales
Carlos acordou bem e após o café do hostel pegamos a estrada. Uma chuva fina e chata marcou a saída da cidade.
Paramos para abastecer e vestir as capas de chuva.
Alguns km à frente o asfalto secou, mas não tiramos as calças impermeáveis por conta de um frio penetrante. Viemos com muita calma. E assim andaremos.
Mais uma vez Carlos seguia e eu parava para as fotos. Minha moto anda bem no asfalto. São cinco minutos para tirar as luvas, acionar o disparador da máquina de fotos do iPhone e um cigarrinho com dreno da bexiga. Depois uma corrida mais forte e emparelho novamente com o Carlos.
Chegamos aqui e encontramos esta charmosa cafeteira com wi-fi.
Acho que vamos encarar mais duas horas de estrada e chegar em Torres del Paine ainda hoje.
Paramos para abastecer e vestir as capas de chuva.
Alguns km à frente o asfalto secou, mas não tiramos as calças impermeáveis por conta de um frio penetrante. Viemos com muita calma. E assim andaremos.
Mais uma vez Carlos seguia e eu parava para as fotos. Minha moto anda bem no asfalto. São cinco minutos para tirar as luvas, acionar o disparador da máquina de fotos do iPhone e um cigarrinho com dreno da bexiga. Depois uma corrida mais forte e emparelho novamente com o Carlos.
Chegamos aqui e encontramos esta charmosa cafeteira com wi-fi.
Acho que vamos encarar mais duas horas de estrada e chegar em Torres del Paine ainda hoje.
Punta Arenas
Duas horas e meia de balsa é tempo suficiente para descansar e observar.
Gente tem curiosidade sobre gente diferente. Sempre.
Muitos habitantes locais e um bando de turistas. Dois casais de jovens franceses em dois pequenos motorhomes, ambos com cachorros (curioso demais) dentro, gente de não mais de 30 anos. Um destes casais com uma filha linda, de uns 3 para 4 anos. E um grupo de alemães, a maioria mais velhos que nós, gente de 60 ou mais. Este grupo num serviço chileno de turismo muito interessante. Pequeno caminhão transformado numa enorme Van executiva, com todo conforto, fazendo pacotes descolados nesta região. Tem foto deste caminhão, que fiz mais para lembrar do site. Todos com suas Canon EOS 5D, a melhor máquina fotográfica atual que eu conheço, e lentes de toda natureza. Os franceses mais parecendo bichos-grilos mais alegres.
Um dos operadores da balsa começou a falar português arrastado conosco, tinha trabalhado 5 anos na nossa costa, em um rebocador de plataformas de petróleo. No meio da travessia o capitão lhe passou o comando e sumiu. Aproveitei e subi na torre de comando para saciar minhas curiosidades.
Chegando no porto de Punta Arenas procuramos os taxistas para perguntar se conheciam oficinas autorizadas Honda. Um deles se ofereceu para nos levar, bastando que o seguíssemos. Aqui o taxi é coletivo, enquanto tem demanda e espaço eles param e os passageiros entram. E duas motos atrás deste que quis ajudar. Mencionei que não tinha pesos chilenos e o cara disse que não estava cobrando, só queria nos indicar uma oficina.
Chegamos lá e o dono nos disse que podia arrumar a moto, mas haverá uma corrida neste fim de semana e a prioridade deles é esta. Perguntas sobre outra e nos indicou a Honda Pablo Paredes. Perto, não mais de 3 quadras.
A sorte e a generosidade andam freqüentemente juntas.
Marcela, mulher do Pablo, nos atendeu. E nos entendeu, principalmente. Chamou o marido, contou nossa história, e Pablo, de uns 40 e poucos, nos disse que em uma hora a moto estaria pronta.
Falamos que não tínhamos almoçado, já umas 18h00, e Marcela nos indicou o Dino's, duas quadras dali. O melhor hambúrguer da cidade. A questão é que não tínhamos pesos chilenos e na hamburgueria só em "efectivo".
O cartão mágico do Itaú produziu pesos num caixa automatica e o cartão do Carlos, do Bradesco, aporrinhação.
Achamos uma casa de câmbio, Carlos trocou um qualquer e comemos os dois melhores hambúrgueres da história da humanidade.
Voltamos na Pablo Motos e a do Carlos está absolutamente reparada para seguir viagem.
Achamos um bom Hostal no centro, menos da metade do preço dos dois melhores hotéis, e fui comprar achocolatado e maçãs para meu parceiro, abatido pelos acontecimentos.
Ainda dei um passeio na famosa praça onde deve-se tocar o pé do índio para não haver alguma praga, crendice que não entendi direito. Mas fui lá e fiz.
"No creo en brujas, pero que las hay, las hay"!
Atualização: Carlos acordou bem, dores no corpo suportáveis. Vamos à Puerto Natales, 270 km ao norte.
Lá decidimos o resto do dia, após avaliarmos as condições. Não sei se conheceremos Torres del Paine hoje ou amanhã.
Tiramos mais duas fotos da praça central, que fica à uma quadra do Hostel Patagônia onde estamos.
Gente tem curiosidade sobre gente diferente. Sempre.
Muitos habitantes locais e um bando de turistas. Dois casais de jovens franceses em dois pequenos motorhomes, ambos com cachorros (curioso demais) dentro, gente de não mais de 30 anos. Um destes casais com uma filha linda, de uns 3 para 4 anos. E um grupo de alemães, a maioria mais velhos que nós, gente de 60 ou mais. Este grupo num serviço chileno de turismo muito interessante. Pequeno caminhão transformado numa enorme Van executiva, com todo conforto, fazendo pacotes descolados nesta região. Tem foto deste caminhão, que fiz mais para lembrar do site. Todos com suas Canon EOS 5D, a melhor máquina fotográfica atual que eu conheço, e lentes de toda natureza. Os franceses mais parecendo bichos-grilos mais alegres.
Um dos operadores da balsa começou a falar português arrastado conosco, tinha trabalhado 5 anos na nossa costa, em um rebocador de plataformas de petróleo. No meio da travessia o capitão lhe passou o comando e sumiu. Aproveitei e subi na torre de comando para saciar minhas curiosidades.
Chegando no porto de Punta Arenas procuramos os taxistas para perguntar se conheciam oficinas autorizadas Honda. Um deles se ofereceu para nos levar, bastando que o seguíssemos. Aqui o taxi é coletivo, enquanto tem demanda e espaço eles param e os passageiros entram. E duas motos atrás deste que quis ajudar. Mencionei que não tinha pesos chilenos e o cara disse que não estava cobrando, só queria nos indicar uma oficina.
Chegamos lá e o dono nos disse que podia arrumar a moto, mas haverá uma corrida neste fim de semana e a prioridade deles é esta. Perguntas sobre outra e nos indicou a Honda Pablo Paredes. Perto, não mais de 3 quadras.
A sorte e a generosidade andam freqüentemente juntas.
Marcela, mulher do Pablo, nos atendeu. E nos entendeu, principalmente. Chamou o marido, contou nossa história, e Pablo, de uns 40 e poucos, nos disse que em uma hora a moto estaria pronta.
Falamos que não tínhamos almoçado, já umas 18h00, e Marcela nos indicou o Dino's, duas quadras dali. O melhor hambúrguer da cidade. A questão é que não tínhamos pesos chilenos e na hamburgueria só em "efectivo".
O cartão mágico do Itaú produziu pesos num caixa automatica e o cartão do Carlos, do Bradesco, aporrinhação.
Achamos uma casa de câmbio, Carlos trocou um qualquer e comemos os dois melhores hambúrgueres da história da humanidade.
Voltamos na Pablo Motos e a do Carlos está absolutamente reparada para seguir viagem.
Achamos um bom Hostal no centro, menos da metade do preço dos dois melhores hotéis, e fui comprar achocolatado e maçãs para meu parceiro, abatido pelos acontecimentos.
Ainda dei um passeio na famosa praça onde deve-se tocar o pé do índio para não haver alguma praga, crendice que não entendi direito. Mas fui lá e fiz.
"No creo en brujas, pero que las hay, las hay"!
Atualização: Carlos acordou bem, dores no corpo suportáveis. Vamos à Puerto Natales, 270 km ao norte.
Lá decidimos o resto do dia, após avaliarmos as condições. Não sei se conheceremos Torres del Paine hoje ou amanhã.
Tiramos mais duas fotos da praça central, que fica à uma quadra do Hostel Patagônia onde estamos.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Porvenir
Acordamos às 04h00 e antes das 05h00 já estávamos saindo de Ushuaia escuro, com uma chuva fraca.
Chegamos na fronteira em San Sebastian, abastecemos, fizemos os trâmites de saída da Argentina e da entrada no Chile.
A partir deste ponto o rípio. Como decidimos atravessar pela balsa mais longa, de 2,5 horas, direto para Punta Arenas, deixamos o cruzamento para Cerro Sombrero e tomamos o rípo para Oeste, sentido Porvenir. O local exato desta balsa é Baía Azul.
Logo de cara deu para perceber que estava mais difícil que o caminho da descida, pedras mais soltas e, em alguns trechos, barro escorregadio.
De novo eu parava para as fotos e o Carlos seguia. Como tínhamos adiantado o dia resolvi tirar mais fotos e a distância entre nós aumentou.
Como que numa promonição, parei e tirei fotos do detalhe deste piso traiçoeiro. Não se pode distrair um segundo que seja. Os entendidos aconselham, e eu sigo sem pestanejar, jogar todo o peso do corpo nas pedaleiras. Tirar a bunda do banco mesmo. Em momentos pode-se até ficar de pé, pois ajuda a manter baixo o centro de gravidade.
Numa enorme reta avisto o Carlos de pé na estrada e sua moto no chão. Ao que tudo indica uma leve distração o tirou do leito menos pedregoso e a roda dianteira de sua moto entrou nos pedaços onde há acúmulo de pedras.
Sorte que o equipamento funcionou e não houve nenhum problema maior com o Carlos. A moto empenou o guidão, entortou a pedaleira direita, quebrou um espelho, esbagaçou a manopla do acelerador e detonou a carenagem direita do tanque.
O capacete rachou atrás e dissipou a energia, protegendo eficientemente sua cabeça. A boa jaqueta de couro protegeu seu cotovelo e nada, além do ego, saiu ferido.
Um zonzo (onde estamos?) mas logo Carlos se recobrou. Levantamos a moto, analisamos a situação que parecia impeditiva, mas começamos a arrumar uma forma de sair daquele lugar sem nada por perto.
Consegui desentortar um pouco o guidão, mas a parte final foi mesmo com algumas pancadas com uma pedra maior.
Apareceu um carro com dois cabos da polícia carabineira e pedi para eles pararem. Acabaram ajudando com um parafuso que segurou a pedaleira até Punta Arenas, depois que experimentei andar com a moto e constatei que seria impossível seguir sem ela pois não havia apoio para o pé e nem forma de usar o freio traseiro.
Moto minimamente guaribada seguimos os 50 km que faltavam até o porto.
E estes km finais foram das mais belas paisagens à beira do Estreito de Magalhães, que as fotos confirmam.
Duas providências imediatas: tomar a balsa e achar uma oficina em Punta Arenas, onde a sorte nos brindou com soluções imediatas que conto a seguir.
Chegamos na fronteira em San Sebastian, abastecemos, fizemos os trâmites de saída da Argentina e da entrada no Chile.
A partir deste ponto o rípio. Como decidimos atravessar pela balsa mais longa, de 2,5 horas, direto para Punta Arenas, deixamos o cruzamento para Cerro Sombrero e tomamos o rípo para Oeste, sentido Porvenir. O local exato desta balsa é Baía Azul.
Logo de cara deu para perceber que estava mais difícil que o caminho da descida, pedras mais soltas e, em alguns trechos, barro escorregadio.
De novo eu parava para as fotos e o Carlos seguia. Como tínhamos adiantado o dia resolvi tirar mais fotos e a distância entre nós aumentou.
Como que numa promonição, parei e tirei fotos do detalhe deste piso traiçoeiro. Não se pode distrair um segundo que seja. Os entendidos aconselham, e eu sigo sem pestanejar, jogar todo o peso do corpo nas pedaleiras. Tirar a bunda do banco mesmo. Em momentos pode-se até ficar de pé, pois ajuda a manter baixo o centro de gravidade.
Numa enorme reta avisto o Carlos de pé na estrada e sua moto no chão. Ao que tudo indica uma leve distração o tirou do leito menos pedregoso e a roda dianteira de sua moto entrou nos pedaços onde há acúmulo de pedras.
Sorte que o equipamento funcionou e não houve nenhum problema maior com o Carlos. A moto empenou o guidão, entortou a pedaleira direita, quebrou um espelho, esbagaçou a manopla do acelerador e detonou a carenagem direita do tanque.
O capacete rachou atrás e dissipou a energia, protegendo eficientemente sua cabeça. A boa jaqueta de couro protegeu seu cotovelo e nada, além do ego, saiu ferido.
Um zonzo (onde estamos?) mas logo Carlos se recobrou. Levantamos a moto, analisamos a situação que parecia impeditiva, mas começamos a arrumar uma forma de sair daquele lugar sem nada por perto.
Consegui desentortar um pouco o guidão, mas a parte final foi mesmo com algumas pancadas com uma pedra maior.
Apareceu um carro com dois cabos da polícia carabineira e pedi para eles pararem. Acabaram ajudando com um parafuso que segurou a pedaleira até Punta Arenas, depois que experimentei andar com a moto e constatei que seria impossível seguir sem ela pois não havia apoio para o pé e nem forma de usar o freio traseiro.
Moto minimamente guaribada seguimos os 50 km que faltavam até o porto.
E estes km finais foram das mais belas paisagens à beira do Estreito de Magalhães, que as fotos confirmam.
Duas providências imediatas: tomar a balsa e achar uma oficina em Punta Arenas, onde a sorte nos brindou com soluções imediatas que conto a seguir.
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