Saímos de Rio Grande com os tanques abastecidos, um rápido café no estômago e um email trocado com Edmilson. Nos passou o hotel que estava em Ushuaia.
Uma estrada linda. A paisagem se alterou completamente. Das savanas para mudanças significativas no relevo e o Mar à bombordo, o bordo bom, o lado do coração.
Cavalos - pena que sem fotos - ovelhas, guanacos, pássaros gigantes que nunca tinha visto (mestre Guto Carvalho iria adorar) e florestas. A cordilheira aparece, lagos azuis e uma estrada que destoou do resto, sempre boa até aqui. Alguns trechos até perigosos com buracos e pedras soltas. Como no trecho anterior, eu saía à frente e o Carlos vinha com tudo que podia. Queríamos encontrar o nosso parceiro Edmilson antes que ele tomasse o avião para Viracopos (com suas devidas escalas).
Essa moto que ando é muito apropriada para este tipo de viagem. Nos retões chega fácil nos 180 km/h e anda bem na terra também. Enfim, mais papo de motociclista que não é bem o tom deste diário de viagem.
Um enorme espectro de pensamentos e sensações vinham à cabeça. Meu amigo de 44 anos por perto, desde 1968, 52 anos completados ontem e uma aventura mais apropriada para alguém de 25.
Nenhum heroísmo nisto tudo, somente o prazer do desafio, sair de casa, do conforto, do colo da mulher, e se jogar na estrada como um caramujo, carregando tudo que se precisa em exatos 79 litros, 46 do baú atrás do banco e uma mochila impermeável de alpinismo, de 33 litros. Na verdade uma heresia para os mototuristas que equipam suas motos com 3 baús e carregam muito mais coisa. Mas, enfim, esse minimalismo estimula.
E os km das placas reduziam. De um hora para outra o frio chegou para valer. O dia já tinha sido generoso, sem chuvas, mas muito duro pelo vento. Tudo que tínhamos pego até então não passava de uma matinê infantil. Teve hora que apeei da moto para fotos e quase fui derrubado pelo vento. Mas dessa vez o que mais pegou foi o frio. As mãos enrigesseram mesmo com duas luvas, uma quente por baixo e outra grossa por cima. Nas pernas camadas e mais camadas. Cueca, segunda pele fina, segunda pele grossa, calça jeans e uma última calça impermeável de chuva. Imagina um xixi básico!
Até que: chegamos!
Antes uma serra descendente, com curvas muito fechadas, que assusta um bocado, ainda mais que tínhamos nossa pressa e a estrada está realmente ruim.
Na entrada da cidade, um semáforo, emparelhamos as motos e apertamos as mãos.
Paramos num posto YPF em frente ao porto e um último email do Edmilson dizia que sairia do seu hotel às 20h00.
Eram 19h58. Corremos até as motos, chegamos na recepção e ele havia partido 10 minutos atrás. Ficou o esforço e a certeza que o abraço ficará mais forte em Jundiaí.
Escolhemos um outro hotel, nos instalamos e fomos jantar aqueles caranguejos gigantes, as centoias. Tomamos todas as cervejas que nos eram de direito e fomos passear à beira mar. O Paraty 2, do Amyr Klink, está ancorado aqui. Curiosamente este blog começa usando uma citação deste grande estradeiro, seja do Mar , seja da Terra. Sim, Amir Klink também tem moto.
Tiramos uma foto na famosa placa da cidade, mas amanhã faremos outras melhores.
USHUAIA !!!


























Parabéns Companheiro, pela empreitada vencida e pelos 52 anos!
ResponderExcluirUm abraço do aldo
Neco, que viagem fantástica ein!!! As fotos merecem uma bela de uma exposição qdo voltar!!
ResponderExcluirAproveitem!! Lina