sexta-feira, 9 de março de 2012

Porvenir

Acordamos às 04h00 e antes das 05h00 já estávamos saindo de Ushuaia escuro, com uma chuva fraca.

Chegamos na fronteira em San Sebastian, abastecemos, fizemos os trâmites de saída da Argentina e da entrada no Chile.

A partir deste ponto o rípio. Como decidimos atravessar pela balsa mais longa, de 2,5 horas, direto para Punta Arenas, deixamos o cruzamento para Cerro Sombrero e tomamos o rípo para Oeste, sentido Porvenir. O local exato desta balsa é Baía Azul.

Logo de cara deu para perceber que estava mais difícil que o caminho da descida, pedras mais soltas e, em alguns trechos, barro escorregadio.

De novo eu parava para as fotos e o Carlos seguia. Como tínhamos adiantado o dia resolvi tirar mais fotos e a distância entre nós aumentou.

Como que numa promonição, parei e tirei fotos do detalhe deste piso traiçoeiro. Não se pode distrair um segundo que seja. Os entendidos aconselham, e eu sigo sem pestanejar, jogar todo o peso do corpo nas pedaleiras. Tirar a bunda do banco mesmo. Em momentos pode-se até ficar de pé, pois ajuda a manter baixo o centro de gravidade.

Numa enorme reta avisto o Carlos de pé na estrada e sua moto no chão. Ao que tudo indica uma leve distração o tirou do leito menos pedregoso e a roda dianteira de sua moto entrou nos pedaços onde há acúmulo de pedras.

Sorte que o equipamento funcionou e não houve nenhum problema maior com o Carlos. A moto empenou o guidão, entortou a pedaleira direita, quebrou um espelho, esbagaçou a manopla do acelerador e detonou a carenagem direita do tanque.

O capacete rachou atrás e dissipou a energia, protegendo eficientemente sua cabeça. A boa jaqueta de couro protegeu seu cotovelo e nada, além do ego, saiu ferido.

Um zonzo (onde estamos?) mas logo Carlos se recobrou. Levantamos a moto, analisamos a situação que parecia impeditiva, mas começamos a arrumar uma forma de sair daquele lugar sem nada por perto.

Consegui desentortar um pouco o guidão, mas a parte final foi mesmo com algumas pancadas com uma pedra maior.

Apareceu um carro com dois cabos da polícia carabineira e pedi para eles pararem. Acabaram ajudando com um parafuso que segurou a pedaleira até Punta Arenas, depois que experimentei andar com a moto e constatei que seria impossível seguir sem ela pois não havia apoio para o pé e nem forma de usar o freio traseiro.

Moto minimamente guaribada seguimos os 50 km que faltavam até o porto.

E estes km finais foram das mais belas paisagens à beira do Estreito de Magalhães, que as fotos confirmam.

Duas providências imediatas: tomar a balsa e achar uma oficina em Punta Arenas, onde a sorte nos brindou com soluções imediatas que conto a seguir.


Um comentário:

  1. Ainda bem que não passou de um susto. Só pra ter história para contar depois, não é mesmo?

    Vão pela sombra, Neco e Carlos. Curtam muito a viagem daqui pra frente...

    Abs,

    Toni

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